
Eu não sei até que ponto é bom eu ser assim e nem o quão bom de fato é ser-lo. Sentir essa saudade, esse aperto, e o ímpeto de se impedir, de não procurar. Não é como se aquilo me fizesse mal. Me fazia bem. Poderia estar fazendo agora, neste momento. Apenas… não é pra mim. Como se eu estivesse tentando disfarçar meus ossos com as carnes de outro alguém, sufocar o cheiro do cigarro nos dedos com um simples perfume que só fica guardado na bolsa com esse único propósito. E o pior não é o que eu sinto, esse desconforto, esse quero-não-quero… é o que os outros sentem, o que os outros devem sentir por ter se emaranhado e depois, esquecido. E esquecido nem é bem a palavra, porque eu não esqueço; se esquecesse, não estaria em plena madrugada me martirizando sobre esses assuntos. Eu simplesmente acho melhor fugir, antes que me engula viva, me tome por inteira. Eu tenho medo disso. O medo é maior do que qualquer conforto, é um medo tão grande que me rouba o ar e logo me vejo obrigada a procurar qualquer outro meio para conseguir respirar logo, mesmo que ele seja auto-destrutivo. Eu queria saber explicar isso, queria saber expressar, e queria que fosse algo fácil de entender… mas não é.
Eu não me entenderia.